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 Autora do Artigo: Dra. Tatiana de P. M. Gamella

Orientação Vocacional

A Orientação Vocacional é um amplo campo das ciências sociais, que auxilia o adolescente em: elaboração de planos de estudo, diagnósticos e investigação. Nesse mesmo sentido Bohoslavsky (2003), diz que são pessoas que enfrentam a passagem de um ciclo educativo a outro, à possibilidade e à necessidade de tomar decisões.

Para a realização de uma boa orientação vocacional, é necessário ter uma visão ampla e compreensiva dos problemas, estabelecer relações causais entre fenômenos, distinguir problemas vocacionais e problemas de personalidade, segundo Bohoslavsky (2003).

Na sociedade atual o adolescente está preocupado com a sua identidade, começa a perceber-se e questiona suas decisões e conflitos.

O adolescente que está transitando por essa fase, realiza um investimento maior no mundo, expandindo-se e conectando-se com ele. Por outro lado, preocupa-se mais com a angústia de realizar uma decisão profissional, do que com a sua própria formação.

Vale ressaltar ainda que: “Para um adolescente, definir o futuro não é somente definir o que fazer, mas, fundamentalmente, definir quem ser e, ao mesmo tempo, definir quem não ser” (BOHOSLAVSKY, 2003, p.28).

Para Bohoslavsky (2003), o indivíduo é responsável por suas escolhas, assim como o sujeito da entrevista. Somente ele soube o que queria para o seu futuro, para o autor devemos respeitar a escolha profissional, ou seja, é uma questão de “ideologia”, respeito à individualidade e liberdade do outro.

Segundo o autor, o futuro para o adolescente é abstrato, mas personificado. O futuro é também, para ele, uma família e a sua inclusão no sistema produtivo da sociedade que vive. Entendemos que o futuro não é algo desconhecido, o indivíduo sabe o que quer e tem uma importância para ele. Ele constrói e idealiza um futuro de acordo com a sua personalidade, onde somente ele está presente.

O mesmo autor cita que o adolescente ao escolher uma profissão está fixando quem deixa de ser, deixando de ser adolescente, deixando de ser outro profissional, e está optando por outros objetivos; isso é o que Bohoslavsky (2003) caracteriza como processo de luto.  Essa é uma fase de crises, pois o adolescente está passando por uma desestruturação e reestruturação do seu mundo interior e das suas relações com o mundo exterior.

O autor ainda reflete que: "Todas as dúvidas do jovem a respeito de quem quer ser obedecem a identificações que ainda não se integraram" (BOHOSLAVSKY, 2003).

Portanto o adolescente está definindo a sua personalidade, que segundo Bohoslavsky (2003) o que define fundamentalmente a pessoa é o fato de poder ser um objeto para si mesma, um objeto para si, ou seja, isso pode se traduzir na sensação de que “eu sou eu”. Para que isso aconteça, é necessário que ocorra três etapas: Tempo, Espaço e Outros.

Com relação ao Tempo, a sensação de que ele é ele se define pelos projetos que o indivíduo determina para sua vida e que ele sente como se fosse seus, expressando suas aspirações, sua estimativa do que ele pode alcançar e as expectativas que ele tem de si mesmo, do mundo e dos outros.

Quanto ao Espaço, esse sentimento de que “eu sou eu” surge sobre a base do esquema corporal, que não se refere ao corpo, mas sim da sua representação.

Os Outros se refere às relações que se estabelecem com os demais, essas relações se expressam num vínculo de duplo aspecto que são os processos projetivos e introjetivos, conforme Bohoslavsky (2003). Essas três etapas estruturam a personalidade.

           O autor afirma que um jovem que busca a orientação vocacional, está demonstrando preocupação com sua pessoa em relação ao futuro, ou seja, ele está focado na sua realização pessoal, e não somente no sucesso profissional.

As concepções e orientações existentes assinalam práticas diversas, que se constituem em diferentes perspectivas de conceber os objetivos e o próprio objeto do trabalho, bem como as técnicas e instrumentos a serem utilizados, com o propósito de auxiliar o indivíduo.

O orientador tem por objetivo estabelecer uma relação de ajuda com o adolescente, que consiste em promover desenvolvimento, crescimento, maturidade e capacitá-lo para uma melhor utilização dos seus recursos latentes, conforme Bohoslavsky (2003).

Diferente da Orientação proposta por Bohoslavsky (2003), a abordagem psicométrica diz que o sujeito tem que estar proposto a realizar baterias de teste, já na teoria de Bohoslavsky, há um questionamento do sujeito sobre sua realização pessoal, sua felicidade, identidade e saúde; essa teoria ajuda a pessoa a compreender e escolher sua profissão, portanto, essa intervenção vai ajudar e favorecer que o sujeito dê conta do processo de escolha da profissão e se aproprie do processo da orientação.

O que norteia a busca do adolescente por uma profissão é a noção de que ele “quer ser alguém”, levando em conta sua singularidade e história.

O adolescente busca garantir o desejo e seu direito de escolher, ou seja, sua liberdade, decisões e questionamentos. Bohoslavsky (2003), propõe que o adolescente não deve “abafar” seus conflitos e sim lidar com eles, obter um vínculo afetivo com a profissão e singularidades. Assim, nessa teoria os testes não são prioridade.

Vale ressaltar que para o autor, o adolescente definir o seu futuro, é um “realizar-se”, “chegar a ser”.

O adolescente deve conseguir assumir e compreender a situação de crise que enfrenta, para poder chegar a uma decisão autônoma e responsável. Se o adolescente recorrer a um psicólogo, o mesmo deve atuar no sentido de esclarecer e informá-lo, colaborando para que o mesmo possa elaborar os conflitos que enfrenta, a fim de estabelecer uma imagem não conflitiva de sua identidade profissional, e chegar a uma decisão pessoal sobre seu futuro profissional.

 Em suma, o objetivo do psicólogo no processo de orientação vocacional é, portanto, o de instrumentalizar a escolha e a construção da identidade profissional pela via do autoconhecimento e da articulação entre o mundo do trabalho e o universo subjetivo do adolescente, afirma Bohoslavsky (2003).


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


BOHOSLAVSKY, Rodolfo. Orientação Vocacional. A estratégia Clínica. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

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