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Autora do Artigo: Dra. Débora de P. M. Gamella

Solidão, Amiga ou Inimiga da Vida?


Quando se fala em solidão, a primeira idéia que nos vem à mente é de sofrimento e dor. É aquela sensação de mal-estar que nos acomete quando perdemos alguém a quem amávamos, ou quando dela nos separamos por um motivo ou outro. São determinados momentos que percebemos mais fortemente a presença da solidão, e inadivertidamente nos deixamos cair em desespero, esquecendo que a solidão é uma condição inerente ao ser humano, isto é, não é uma coisa a qual podemos abdicar ou lançar mão segundo nossa conveniência, podemos até fingir ou tentar nos enganar, porém, será só mais um engano, somos sós, sem opção pelo oposto. O que diferencia é o uso que fazemos desse estado de “ser” solitário. O caminho da solidão, por vezes parece-nos árduo e penoso, exigindo forças sobre-humanas para percorrê-lo, contudo não há como não trilhá-lo.

A solidão parece-nos muito distante quando mantemos um relacionamento afetivo seja ele de que ordem for, pois por algum tempo, sentimo-nos em comunhão de pensamentos, de afetividade, de amor e essa sensação de intimidade acaba deixando a solidão em segundo plano por certo tempo, até que vem a descoberta inevitável: cada um é um.


Mesmo nos instantes em que nos sentimos participantes de uma família ou de uma comunidade, chegará a hora da descoberta e da certeza que, para as realizações pessoais depende-se das próprias possibilidades, mas até chegarmos a essa conclusão, por vezes muito sofrimento já foi vivido. Se não há maneira pela qual possamos escapar da solidão, há por outro lado a escolha de como a teremos, se como amiga ou inimiga. Se afastarmos a solidão, por medo de um encontro maior conosco mesmo, aí sim, a teremos como inimiga, pois não estaremos compartilhando a proximidade com o outro, mas tentando buscar nele um referencial externo, uma orientação ou mesmo um consolo, mas logo daremos conta que a medida do outro não é exatamente a nossa, e novamente a sensação de vazio, de solidão se apodera de nós.


O medo de estar só, pode estar andando de mãos dadas com o medo de perder a consciência de si mesmo, pois o depósito de todo o conhecimento da realidade está situado no referencial do outro e não no que nos é próprio. A solidão será portanto, aquilo que dela pudermos fazer, amiga ou inimiga.


A solidão amiga é aquela que nos dá a sensação paradoxal do encontro. Encontro conosco mesmo, e nesse momento mágico, podemos dizer que verdadeiramente encontramos o nosso próximo, pois é só a partir de um conhecimento e respeito próprio que exercemos a verdadeira comunhão com o outro. E como escreveu o poeta alemão Rainer Maria Rilke: “...pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo, não sabem amar: tem que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender amar. Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, e isolamento cada vez mais intenso e profundo” Rilke.


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