HOME
PSICOTERAPIAS
PQ. FAZER?
QUEM SOMOS
CONTATO
O CONSULTÓRIO
SOBRE O SITE
VALORES
ARTIGOS
REFLEXÕES
 Autora do Artigo: Dra. Tatiana de P. M. Gamella


O Uso de Álcool e a Prevenção do Abuso de Álcool entre Universitários/as. Padrões de Uso de Álcool  Entre Jovens Universitários/as.


Segundo Dimeff (2002) o consumo do álcool entre estudantes universitários de graduação é um problema grave na saúde pública.

Algumas pesquisas realizadas nos Estados Unidos em 1996, afirmam que 62,5% dos universitários informaram ter bebido nos últimos 30 dias, e 3,6% relataram o uso diário do álcool (JOHNSTON, 1996 e PRESLEY DIMEFF, 2002), no Brasil, o consumo do álcool cresceu 154,8%, entre 1961 e 2000 (Cebrid, 2005).

O uso do álcool é o preferido entre universitários, e muitos bebem de maneira prejudicial (Dimeff, 2002).

É importante ressaltar que o padrão de ingestão alcoólica de universitários varia ao longo do ano acadêmico, essa ingestão de álcool está ligada a eventos importantes, como: formaturas, festas, férias e outros (Dimeff, 2002).

Ainda neste contexto o autor afirma que:

“Os padrões de ingestão de bebidas alcoólicas por jovens e adultos jovens não são fixos nem estatísticos, mas mudam consideravelmente com o passar do tempo (GRANT apud DIMEFF, 2002). Entre os que vão para a faculdade, as taxas de bebida aumentam substancialmente na transição do colégio para o primeiro ano de faculdade, essas taxas diminuem progressivamente após o primeiro ano” (DIMEFF, 2002, p.27).

O consumo do álcool está implicado em quase todos os problemas comportamentais e de saúde dos jovens, aí incluídos agressões sexuais (NORRIS e KOSS apud DIMEFF, 2002). Há também o desempenho acadêmico prejudicado (WOOD e PRESLEY apud DIMEFF, 2002), “vandalismo” e “brigas” (ENGS apud DIMEFF, 2002), doenças de transmissão sexual (DONOVAN & MCEWAN e STRUNIN & HINGSON apud DIMEFF, 2002), além de ocorrer também acidentes e mortes de trânsito (CAMPBELL apud DIMEFF, 2002).

É importante lembrar que as conseqüências prejudiciais de beber aumentam proporcionalmente à quantidade de álcool consumido (O`Hare apud Dimeff, 2002).

As taxas do uso do álcool diminuem progressivamente do início ao término da faculdade, pois os universitários amadurecem e assim assumem outras responsabilidades, conforme Dimeff (2002).


*Abordagens Preventivas Para Estudantes Universitários/as

Grande parte dos estudantes universitários superam a fase de ingestão do álcool e seus malefícios sem assistência e tratamento, trazendo como conseqüência vulnerabilidades. O que deve ser feito em relação à essas questões, são programas de prevenção aos universitários, para que atravessem esse período de suas vidas em devida segurança, diz Dimeff (2002).

Para amenizar os problemas que o álcool traz aos universitários, Dimeff (2002), propõe uma melhoria na gerência dos ambientes nos campus das universidades, proibição de drogas nos campus, patrocinar festas nos campus sem bebidas alcoólicas, dentre outras atividades alternativas às bebidas alcoólicas.

É importante lembrar que essas alternativas são dirigidas a públicos variados, com níveis de ingestão muito diversos, porém, são mais indicadas a indivíduos que já têm manifestações de problemas, ou que possuem fatores de risco, aumentando assim probabilidades de problemas no futuro.

Uma outra alternativa segundo Dimeff (2002), seria a abordagem progressiva, ou seja:

“…os indivíduos com histórias recente de álcool e problemas leves ou moderados recebem inicialmente uma intervenção mínima, e o grau de intensidade da intervenção aumenta até que se atinja o impacto terapêutico necessário…aumentar a base do tratamento a ponto de incluir os esforços de prevenção para pessoas que, embora em risco de problemas de álcool, talvez nunca desenvolvam uma dependência nem passem a níveis moderados a graves de problemas relacionados ao álcool” (DIMEFF, 2002, p.28 e 29).

Ou seja, há várias alternativas para os jovens universitários não tornarem-se usuários abusivos do álcool, é necessário que elas sejam nas universidades, e que demonstre aos jovens o gigantesco impacto que o álcool pode causar em suas vidas.

 
*Fatores de Risco Associados ao Beber na Faculdade

Os fatores de riscos associados à bebida alcoólica, ao usuário regular e ao usuário “pesado” envolvem processos de desenvolvimento complexos, influências ambientais e diferenças individuais em resposta ao álcool (Dimeff, 2002).

A influência do colegas, é o fator de risco ambiental mais comum, acredita-se que os colegas se socializam no momento em que estão bebendo, por imitação, ou reforçamento do comportamento de beber.

Segundo Silveira (1995), muitos jovens também utilizam drogas por serem perigosas e proibidas, trazendo um significado de auto-imposição de provas, autonomia e independência.

Afirma Dimeff (2002), que há também a associação por estilos de vida (associar-se a semelhantes cujos estilos de vida se parecem com os seus), festas ou história familiar de alcoolismo.

O uso do álcool traz também outros fatores de risco graves, como: “vadiagem”, uso de outras drogas e atividade sexual precoce.  Um outro agravante é que muitos jovens universitários têm expectativas positivas ou distorcidas e falsas crenças quanto aos efeitos do álcool, dentre as falsas expectativas positivas: vemos o aumento da autoconfiança, sociabilidade, desinibição social, atratividade física/sexual, sensação de auto-adequação.  Também pode-se ressaltar a vontade dos jovens universitários de  provarem estados alterados de consciência, tornando-se um rito de passagem da vida jovem para a vida adulta, o que é muito comum nas culturas ocidentais.

* Obstáculos Para a Prevenção e ao Tratamento Efetivo

Segundo Dimeff (2002), um obstáculo programático/institucional que pode ser citado é a idéia de que proporcionar informação a respeito do álcool ou de mensagens de redução de danos a respeito da moderação a alunos menores de idade é equivalente a dar-lhes permissão para beber; e também o envio da mensagem de que é “legal” infringir a lei, com isso, muitos universitários prezam essa idéia, e procuram o uso do álcool.

Essa é uma das diversas visões que existem, porém, acreditamos que a perspectiva de redução de danos é uma idéia mais solidária, em relação aos indivíduos:

 “A perspectiva de redução de danos modifica finalidades e práticas que respondem a necessidades de saúde…compõe-se de diferentes estratégias, como as proposições de mudanças nas sanções legais associadas ao uso de drogas, as medidas que recomendam o aumento no número de serviços disponíveis para tratamento de drogas, educação voltada para a mudança de comportamento entre usuários de drogas e medidas que visem mudança de percepção pública das drogas e seus usuários” (SOUZA, 2001, p.18).

Um fator preocupante para a sociedade e para o mundo, é que os jovens universitários não vêem o uso do álcool como excessivo ou potencialmente problemático, e isso pode prejudicar a capacidade de perceber os riscos do álcool (Dimeff, 2002).

O mesmo autor ainda propõe os obstáculos conceituais:

  •  “Diferenças de opiniões a respeito do uso do álcool”;
  • Bebedores “problemáticos” ou “pesados” são semelhantes, todos têm uma “má evolução previsível”;
  • Estudantes universitários que bebem não se encaixam nem nos Alcoólicos Anônimos, nem na Necessidade de Abstinência, pois tem ausência de problemas e natureza normativa da ingestão entre colegas da mesma idade;
  • “Os jovens universitários rejeitam o termo “alcoolista”, pessoas e organizações que utilizem tais rótulos”.

Conforme o autor, para ultrapassar os obstáculos de prevenção e tratamento efetivo é preciso ir além do tratamento da dependência crônica. É necessária a inclusão da prevenção do abuso de álcool e intervenções precoces para grupos universitários.

O autor ainda pontua que é muito importante também que não seja utilizada apenas uma abordagem terapêutica, pois não é efetiva para todas as pessoas, devido à gravidade dos sintomas, idade, características da personalidade e crenças sobre o tratamento.

E ainda ressalta que é necessário, levar em consideração as características de cada indivíduo, como: idade, gênero, gravidade dos sintomas, crenças sobre o tratamento e sua personalidade, assim a prevenção e o tratamento para o uso de álcool terão mais probabilidades de darem certo.

 
Referências Bibliográficas

DIMEFF, Linda; BAER, John; KIVLAHAN, Daniel & MARLATT, G. Alcoolismo entre Estudantes Universitários: Uma Abordagem de Redução de Danos. São Paulo: Unesp, 2002.

SILVEIRA, Dartiu Xavier. Drogas, Vícios: Conceitos e Preconceitos. São Paulo:  Revista Junguiana, 1995.

 SOUZA, Ana Silvia. O Sentido das Drogas Para Adolescentes em Situação de Rua. São Paulo, 2001. Dissertação / PUC, São Paulo, 2001.


ATENÇÃO! Todo o conteúdo desse site está registrado e protegido pela lei de direitos autorais. A cópia sem autorização é crime sujeito às penas da lei. Proibida a reprodução integral ou parcial, para uso comercial, editorial ou republicação na internet mesmo que citada a fonte (Inciso I Artigo 29 - Lei 9610/98). Quer publicar ou copiar os textos ou imagens do site? Fale conosco através do e-mail: contato@psicologasnoipiranga.com.br

Site Map