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Autora do Artigo: Dra. Tatiana de P. M. Gamella

Saiba Mais Sobre Drogas



A definição de “Droga”, pode se referir a um medicamento, ou a uma substância que altera o funcionamento normal da mente ou pode se referir a algo desagradável ou ruim. Elas podem ser usadas com a devida orientação médica, com a finalidade de curar uma doença ou amenizar uma dor, nesse caso, a finalidade e o uso das drogas são boas, mas também podem ser usadas para trazer prazer ou para fugir da realidade, sem orientação médica, tornando muitas vezes o uso da droga prejudicial a saúde, diz Meyer (2004).

“A medicina define droga como qualquer substância capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento” (CEBRID, 2005, p.7)*

O uso de drogas é um problema mundial complexo de se resolver, segundo Meyer (2004), o contexto que envolve o uso de drogas parece piorar com o passar dos tempos; pessoas começam a usar drogas cada vez mais cedo, com mais freqüência, maior quantidade e novas drogas estão surgindo. O autor afirma que esse agravamento ocorre devido às mudanças que a sociedade sofre com o passar dos anos, a mudança de valores e o modo de vida.

As drogas que alteram o funcionamento da mente são chamadas psicotrópicas, elas atuam no psiquismo alterando o funcionamento normal do sistema nervoso central. São classificadas em grupos de acordo com a alteração que provoca no sistema nervoso central, essa classificação foi dada por cientistas franceses, para facilitar o seu entendimento (Meyer, 2004).

O álcool é uma droga lícita, ou seja, tem permissão do estado para ser comercializada. Apesar de ter restrições como a idade (só permitida para maiores de 18 anos), a facilidade de obtenção das bebidas alcoólicas é grande, pois a sua comercialização é livre e o acesso é fácil, podemos encontrar bebidas alcoólicas em qualquer bar, padaria, restaurante, e por isso o álcool é visto pela maioria como algo inofensivo, aumentando assim, a tolerância da sociedade com relação ao consumo do mesmo, (Silveira, 1995).

Já as drogas ilícitas, são classificadas pela sociedade como “pesadas” e perigosas por não ter uma livre comercialização. Vale ressaltar que  independente da droga ser lícita ou ilícita, o que a torna perigosa é a relação que o indivíduo estabelece com ela.

Conforme Silveira (1995), essa classificação, droga lícita ou ilícita, e a relação estabelecida pelo indivíduo com essa substância dependem do contexto cultural e histórico de uma sociedade:

“Existe, assim, um excesso de tolerância com relação ao uso indiscriminado de álcool, ao lado de uma intolerância não justificada ao uso meramente recreativo de drogas ilícitas. Não obstante, sabe-se que a dependência ao álcool constitui problema incomparavelmente mais grave do que qualquer outra dependência química quando examinamos suas conseqüências” (SILVEIRA, 1995, p.31)

Conforme Meyer (2004), estudos mostram que as drogas que mais matam e trazem doenças são as drogas lícitas, que são o tabaco e o álcool, causando dependência, e muitos riscos à vida, como acidentes de trânsito, por exemplo.

A legalização das drogas é uma questão mundial, discutida entre países que são a favor e países que são contra. Argumentos dizendo que a droga aumenta a criminalidade e causa doenças físicas e psíquicas, sustentam essa postura conservadora, mas, segundo Silveira (1995), a criminalidade aumenta com a proibição delas. Tratar o problema da droga sob um ponto de vista legal ou ilegal, “tira” a liberdade do indivíduo, pois coloca nas “mãos” do estado, o direito de punir e tratá-lo de forma diferenciada e à margem da sociedade.

As drogas são classificadas em estimulantes, perturbadoras e depressoras, trazem diferentes modificações na atividade do sistema nervoso central, dando uma nova qualidade ao seu funcionamento.

As estimulantes aumentam a atividade mental do sistema nervoso central, provocando euforia, pensamento acelerado, diminuição do sono. As principais são: cocaína, crack, anfetaminas, nicotina e cafeína, afirma Meyer (2004).

As perturbadoras distorcem a percepção que temos da realidade,  provocando em alguns casos delírios e alucinações. Algumas delas: maconha, chá de cogumelo, LSD,  ecstasy, chá de lírio, Santo Daime (Meyer, 2004).

Já as depressoras diminuem a atividade do sistema nervoso central, ou seja, deprimem seu funcionamento. Provoca movimentos mais lentos, diminuição da velocidade do pensamento e prejuízos nas atividades motoras. As principais drogas são: álcool, benzodiazepínicos (calmantes, tranqüilizantes), barbitúricos, opiáceos (morfina, heroína) e inalantes (cola de sapateiro, lança perfume.

O álcool, conforme mostra o CEBRID (2005), é uma droga psicotrópica classificada como depressora, pois atua nas atividades mentais de tal forma que produz sonolência, relaxamento, diminuição da ansiedade da velocidade do pensamento, o que não significa que causa depressão ou melancolia necessariamente, mas sim uma lentidão na atividade mental.

Apesar de ser classificada como depressora, o álcool é considerado uma droga bifásica, pois ao ser ingerido, os efeitos produzidos aparecem em duas faces distintas, a primeira estimulante e a segunda depressora. A primeira se manifesta momentos depois do indivíduo beber o álcool, ele sente euforia, fica mais “falante”, risonho e desinibido. Depois de um tempo esse efeito passa, e a pessoa começa a sentir-se com sono, pouca coordenação motora e desequilíbrio. Esses efeitos variam de acordo com a pessoa, com a estrutura física, o sexo e também o costume de beber do indivíduo, (Cebrid, 2005).

* Formas de Uso

Segundo Meyer (2004), podemos dividir o uso de álcool em etapas:

  • Experimentação: é o primeiro contato que a pessoa tem com o álcool, geralmente ocorre durante a adolescência. Muitos fatores podem influenciar nesse momento, curiosidade, pressão social, aceitação social.
  • Uso ocasional (recreativo): depois desse primeiro contato a pessoa pode passar a consumir ocasionalmente o álcool, nesse momento o uso é moderado. Nessa fase não tem prejuízos sociais, mas pode trazer risco a saúde física.
  • Uso nocivo: nesse momento, mesmo desenvolvendo problemas de saúde, como doenças do fígado por exemplo, o sujeito continua usando álcool.
  • Dependência: Nessa fase a pessoa usuária de drogas ou álcool não tem mais a noção de freqüência e quantidade, a intensidade do consumo é muito grande, trazendo prejuízos na saúde física, mental e na vida social do individuo.  O desejo de consumir certas substâncias é forte e até incontrolável levando, muitas vezes, esses indivíduos a tomarem atitudes marginais.

* Dependência

O alcoolismo é um dos problemas mais graves de saúde em nosso país, atingindo pessoas de todos os níveis sociais. Para se ter um diagnóstico de dependência, temos alguns elementos que compõem a síndrome de dependência química, segundo Meyer (2004), são eles:

  • Compulsão: perda de controle sobre o consumo
  • Tolerância: necessidade de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito.
  • Síndrome de Abstinência: quando se tem a falta da substância, o indivíduo tem desconforto físico e psíquico, gerando ansiedade, irritabilidade, insônia entre outros.
  • Evitação dos sintomas de Abstinência: o indivíduo sabe dos sintomas de abstinência, então evita esses sintomas se precavendo com o consumo da droga antes desses sintomas de abstinência, tornando o uso freqüente para aliviar essas sensações desagradáveis da abstinência.
  • Saliência do Consumo: é a priorização do consumo, ou seja, o indivíduo reverte seu dinheiro e seu tempo para usar o álcool ou a droga, trazendo diversos problemas sociais, familiares, além dos problemas na sua saúde.
  • Estreitamento do Repertório: é quando não se tem mais um local, ou motivo para o consumo. O consumo de álcool e drogas acontece em ocasiões de prazer, festas, fins de semana. Nesse momento, o indivíduo usa a substância em qualquer dia, em qualquer hora e em qualquer lugar.
  • Reinstalação da Síndrome de Dependência: a princípio, o caminho da experimentação até a dependência é um caminho longo que dependendo da droga, demora para se estabelecer. Mas, uma vez que o indivíduo se tornou um dependente e conseguiu ficar abstinente, no primeiro contato com a substância ele volta à dependência rapidamente.

Nem todas as pessoas que um dia experimentaram bebidas alcoólicas, ou que fazem um uso recreativo do álcool se tornam dependentes, não tem como saber de antemão quem vai se tornar um dependente de álcool ou não.

Os prejuízos e efeitos que o álcool e as drogas podem trazer não ocorrem somente quando o indivíduo é dependente, afirma Meyer (2004). O abuso de álcool em uma dada ocasião, ou até mesmo uma experimentação podem causar prejuízos, como acidentes por exemplo. Então o uso de álcool relaciona-se com qualquer tipo de consumo independente da freqüência e da intensidade.

Segundo Silveira (1995), trabalhos clínicos mostram que o álcool está presente nas histórias de consumo dos dependentes de drogas ilícitas, podendo interferir de quatro maneiras na trajetória das dependências químicas ilícitas:

  • Fator de risco familiar: pai ou mãe alcoólatras
  • Porta de entrada das toxicomanias: pessoas que fazem uso abusivo de álcool têm muito mais chance de ser dependente químico do que pessoas que não bebem abusivamente.
  • Produto de associação: pessoas usuárias de drogas ilícitas, geralmente fazem o uso juntamente com o álcool, para a potencialização dos efeitos.
  • Recurso terapêutico: em alguns casos, o álcool é usado como um recurso para diminuir ou amenizar sintomas de outras drogas.

Meyer (2004), ressalta que a dependência é considerada uma doença crônica, e a recaída pode ser fatal, se não houver um tratamento. Diante disso, o indivíduo dependente tem como meta, não só a abstinência da substância, mas uma mudança no seu estilo de vida, buscando outros lugares para freqüentar, outros ambientes, traçando novos objetivos para o seu futuro, evitando qualquer coisa que estimule o uso de álcool ou de outra droga.

O consumo do álcool pode trazer mau desempenho escolar, a prática de atividade sexuais não planejadas, ferimentos, problemas com a polícia entre outros, (Dimeff, 2002).

As drogas, afirma Meyer (2004), provocam efeitos agudos e efeitos crônicos. O álcool produz como efeito agudo, ou seja, como efeito imediato em pequenas doses: desinibição, perda da capacidade crítica e euforia, em doses maiores produz sonolência, lentidão, falta de coordenação motora, fala pastosa e em doses mais elevadas: vômitos, náuseas, visão dupla, coma alcoólico, morte por parada respiratória.

Os efeitos crônicos do uso de álcool, ou seja, os efeitos posteriores são: desenvolvimento de doenças do fígado, do estômago, pâncreas e coração. Cita o autor, outras conseqüências como, distúrbios neurológicos, alteração das células do sangue, infertilidade, alteração menstrual e impotência, convulsões, alucinações, tremores, sintomas de abstinência, sudorese, ansiedade, irritabilidade, (Meyer, 2004).


Referências Bibliográficas

CEBRID – Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas. Livreto Informativo Sobre Drogas Psicotrópicas. Brasília: SENAD, 2005.

DIMEFF, Linda; BAER, John; KIVLAHAN, Daniel & MARLATT, G. Alcoolismo entre Estudantes Universitários: Uma Abordagem de Redução de Danos. São Paulo: Unesp, 2002.

MEYER, Marine; BORDIN, Selma; ANDREOLI, Paola. Guia Para Família: Cuidando de Pessoas com Problemas Relacionados com Álcool e Outras Drogas. São Paulo: Atheneu, 2004.

SILVEIRA, Dartiu Xavier. Drogas, Vícios: Conceitos e Preconceitos. São Paulo:  Revista Junguiana, 1995.



*CEBRID- Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas. Departamento de Psicobiologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).


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